sábado, 27 de junho de 2009

GIANNI MORANDI & LAURA PAUSINI

A ESSÊNCIA DA ARTE



Pegue um poema e leia,
Pegue uma canção e cante,
Pegue uma singela valsa e dance:

Pegue um poema e dance,
Pegue uma canção e leia,
Pegue uma singela valsa e cante.

Nem precisa inverter mais:
Se ler bem,
Se cantar bem,
Se valsar bem;
É pura poesia,
Canção
E dança.

Poema de Sérgio de Andrade
Do livro: “Enquanto a noite não chega”

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Permissivo II


Faz-se em revoadas,
A cada alvorecer.

Passarada...

É a vida, que às vezes,
Parece o prenunciar dos ornitópteros.
No seu viril aninhado...

Plaina, em vôos longínquos.
“Gargueja” pelas boas horas,
Em dias de clarão...

Passarada...

Procura teu despojar em cada entardecer!
D’outros pousos, outras “vidas” se farão,
Solenes alvoroços de aves e vidas.

Assim se fazem... “arcanos e passarinhos”,
Que às vezes são tão semelhantes...
Nos presságios de cada anoitecer.

Numa constante alusão, dentro de nós,
Lá se vão, novos amanheceres,
... Outra vez, dentro de nós!

Passarada...
Passarinhos...
Passarão!


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Autor desconhecido
Imagem:www.bailavc.com.br/.../

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A dança e a alma


A DANÇA? Não é movimento,
súbito gesto musical.
É concentração, num momento,
da humana graça natural.

No solo não, no éter pairamos,
nele amaríamos ficar.
A dança – não vento nos ramos:
seiva, força, perene estar.

Um estar entre céu e chão,
novo domínio conquistado,
onde busque nossa paixão
libertar-se por todo lado...

Onde a alma possa descrever
suas mais divinas parábolas
sem fugir à forma do ser,
por sobre o mistério das fábulas.

(Carlos Drummond)

Foto (Gilberto Borges): IX Momento Cultural Pedagógico -2009

Primavera



E quando setembro vier...!
Amar-te-ei na primavera.
Tempo de flores...
claras, rubras e puras.

De grandes amores,
setembro no teu sorriso.
Amar-te-ei ainda mais!
Quando setembro vier,
guardado em ti estarei.

Será primavera tua,
primavera nua de tanto querer.
Mais bonita que uma flor a desabrochar.
Cada flor pequenina, minha menina.

A tua mocidade,
o teu contemplar.
Numa assunção de flores,
pétalas e cores.
Quando setembro vier... !

Depois do inverno,
vidas concebidas,
Sussurros ocultos,
ao surgir de todas as manhãs.

Renascidas,
que me encantam e mal sei te dizer,
Sem exagero, o quanto mereço... te ter.
Setembro...
minha menina, princípio de cada flor

Bailarina, ninfa do meu encantar
Claras, rubras e puras,
tudo que eu preciso,
Pois a primavera vai chegar,
Quando setembro vier!
Amar-te-ei, amar-te-á.

Amaremos...
Assim que setembro vier...!


Autor desconhecido

sábado, 20 de junho de 2009

NÓS...



Foi melhor não ter, tido você...
Não tendo, já sou desvairado!

Se assim tivesse, por certo...
Já seria agora um descomedido!

Ou não?

Tudo poderia estar, do nosso modo...
Bem simplificado!

Agora dentro de nós, há de ter...
Para sempre um ar de infância!

Ou não?

Inocência por sensato, entre o que foi...
Por certo, ainda haverá de ser!

Foi melhor... Ou não?
Se já sou um exagerado... Tresloucado!

Por ti...
Dentro de mim!


AD
Imagem: Wolney Tavares

sexta-feira, 19 de junho de 2009

NOITE


As casas fecham as pálpebras das janelas e dormem.
Todos os rumores são postos em surdina,
todas as luzes se apagam.

Há um grande aparato de câmara funerária
na paisagem do mundo.
Os homens ficam rígidos,
tomam a posição horizontal
e ensaiam o próprio cadáver.

Cada leito é a maquete de um túmulo.
Cada sono em ensaio de morte.

No cemitério da treva
tudo morre provisoriamente.

Menotti Del Picchia

SONETO



Soneto! Mal de ti falem perversos
que eu te amo e te ergo no ar como uma taça.
Canta dentro de ti a ave da graça

na gaiola dos teus quatorze versos.
Quantos sonhos de amor jazem imersos
em ti que és dor, temor, glória e desgraça?

Foste a expressão sentimental da raça
de um povo que viveu fazendo versos.
Teu lirismo é a nostálgica tristeza
dessa saudade atávica e fagueira

que no fundo da raça nos verteu
a primeira guitarra portuguesa
gemendo numa praia brasileira
naquela noite em que o Brasil nasceu...

Menotti Del Picchia

MISSAL SEM CERIMÔNIA


Certo ar de falência, certa estrela
na testa, certa sorte bifronte, certos
objetos entesourados
no fundo de uma mala, certa mágoa
ambígua, o som de certos ambientes, a
impressão incerta de estar numa
travessia sem freios, a defesa
de certos itens na lembrança
caolha, certos
calafrios sem causa, o grau
de inocência e tristeza em certas horas
sombrias, a importância de certos
detalhes, a pergunta não-feita e sua certa
resposta incerta, o brilho
anterior a certos sinais dados
pela palavra espanto.


LEONARDO FRÓES
Imagem: interspersesystems.blogspot.com

ESTAR ESTANDO


A impressão de estar, o lento
espanto que se repete. Aqui e onde, eis como
povôo ao mesmo tempo dois espaços
ou, mais que isso, passo a noite inteira
vivendo as sensações de um fragmento
que me é próprio, ou é-me o corpo todo,
e de repente vai sem deixar marca
entre o que foi e o há de ser. Deslizo
nessa fronteira vã que não separa
nada e ninguém, passado nem presente, simples
e uniforme
faixa de areia da qual jorram palavras,
visões, retratos, intenções. É sempre agora
e nunca, sempre sono e manhã, sempre uma coisa
que num jogo dual se nulifica
para sobrar de nós sempre esse caldo
de frustração e medo - ou de esperança.

LEONARDO FRÓES

A CANÇÃO DA VIDA


A vida é louca
a vida é uma sarabanda
é um corrupio...
A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
de raparigas em flore
está cantando
em torno a ti:
Como eu sou bela
amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquanto é primavera,
enquanto o mundo
não poluiro azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar
aí...
como um salso chorando
na beira do rio...
(Como a vida é bela! como a vida é louca!)

Mario Quintana

O MAPA


Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...

(É nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...

Mario Quintana

OS POEMAS


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mario Quintana


RECORDO AINDA

Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada afora após segui...
Mas, aí,Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...

Mario Quintana

ESTRADA





Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho,
Interessa mais que uma avenida urbana.
Nas cidades todas as pessoas se parecem.
Todo o mundo é igual. todo o mundo é toda a gente.
Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma.
Cada criatura é única.Até os cães.
Estes cães da roça parecem homens de negócios:
Andam sempre preocupados.
E quanta gente vem e vai!
E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:
Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um bodezinhomanhoso.
Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz dos símbolos,
Que a vida passa! que a vida passa!
E que a mocidade vai acabar.

Manuel Bandeira

A ESTRELA



Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.

Manuel Bandeira

quinta-feira, 18 de junho de 2009

HORAS EXATAS



Manipulei tua hora!
Ela veio noite atrás.
A tarde fez um silêncio!
Pressinto a saudade.
O tempo ainda não passou!
Mas tenho paz.
Quero decifrar teus segredos!
Nosso amor é pura vaidade.

Contorno a curva do universo!
Acordo e fito o infinito.
Quer vir comigo para o ocaso do tempo?
Só amanhã saberemos o que podemos ter!
Eu sinto.
Corro sem nada a lhe oferecer!
Dou-te apenas meus pensamentos.

Ofereço-te, meu corpo em movimento!
Um templo.
Pois deita ao meu lado nessas longas horas.
Faça-me a mulher dos teus versos
Sem constrangimento.
Enxuga minhas lágrimas!
Mas venha agora.

Acerte teu relógio com o meu!
Minha pulsação eu controlo.
Acelere meu coração
com seus fartos beijos.
Segreda-me teus mistérios escondidos!
Não me enrolo.
Meu secreto descoberto!
Tente saciar meus desejos.

Procure um vão por essa porta!
Entre sem medo.
A hora é essa!
Visto-me de poesia!
Sou um texto.
Sou palavras desenhadas por você!
Seus segredos.
Use sua imaginação,
Para ter-me sem pretextos.

(Autor:Soraia)

A NAVALHA DO AMOR


Pego minha navalha!
Retalho meu universo de sofrimento!
É preciso...


Poderá o sangue jorrar e
cortar a carne desse teu poder!
Ah! Jamais.


Recorto pensamentos!
Separo teu olhar do meu!
É um tempo decisivo.


Eu te digo que você ficou
na minha realidade!
E eu não te encontro mais.


Olha nos meus olhos!
Sou tua cigana! Vem!
Vem me fazer feliz assim.


Faz-me meu amor!
Quero te sentir
como ninguém mais ousou a fazer.


Lembra dos meus beijos!
Aqueles que ainda não beijou!
Lembra de mim.


Vem pela tarde e
só volte ao amanhecer!
Mas venha para me aquecer.


Quero te ver perto daqui!
Nunca é tarde!
Mas lembre-se!

Não se atrase...

Desejo-te de corpo e alma!
Essa nossa distância tem que haver uma solução.
Apenas olhe para mim!


Queira-me somente pelo menos uma vez!
Extravase.
É verdade que te quero!
Esse amor tem hemisfério!


Beijos e emoção.
Tudo transparente o que sinto!
Eu te ensino a não sofrer lentamente.


Nossa cama está vazia!
Ilumina-me e ascende
em nós esse amor vazio.


Reaviva-me em sentimentos!
Permita-me pelo vento!
Ressuscita-me somente.

Esse meu fogo que queima está se acabando!



Deleite nesse meu corpo macio.
Sua imagem é meu holograma!
Abri minha porta para aconchegar sua solidão.


Entreabre seus sentidos!
Ignore sua verdade!
Desenha-me em sua aquarela.


Mas espera!
Nada nesse mundo tirará meu amor
de dentro desse meu coração.
Nada em vão!


Nada vai ser em vão!
A estrada!
Ela será minha primavera.


De navalha em punho eu me redimo!
Vou te olhar!

Seu perfume me atrai.


Suas palavras me bastam,
Somente para eu poder te amar!
Desvio sensações.


Equilibro teu poder com meu amor!
Equilibro tua razão!
Isso me distrai.


A noite veio para invadir minha solidão!
Não o encontro mais!
Nem nas canções.

Preciso que venha!


Nesse tempo que nunca vem!
O que quero de você é pouco.
Mas o amanhã virá sem
que tenha tocado meu universo!


Infiltra-me em tua mente.
Seja meu amor agora!
Seja tudo que eu quiser!


Seja meu desejo louco e rouco.
Suga-me pelos prazeres da carne
que a navalha corta!
Retalha-me profundamente.




Autor: Soraia
Imagem: http://sitedepoesias.com.br/

A DANÇA DO MEU SORRISO


Hoje amanheci dançando!
Dancei magicamente com a luz
Sou a criança do tempo,
A cigana dos ventos, o querubim.
Eu canto, eu ando,
Eu levito a canção me seduz.
Quero teu amor!
Ah! Eu quero!
Teus pensamentos em mim.

Contornei as curvas da música!
Inseri harmonia nesses gestos
Dancei sem compromisso!
Ah dancei! Ouvindo a tua canção
No brilho do meu olhar,
Vi tua imagem refletida!
Meu manifesto
Fechei os olhos,
Suavizei sua expressão...
Dentro do meu coração.

O movimento das ondas!
Esse me faz ondular devagar
Escutei o som do mar,
Caminhei sem destino na sua distância.
Ajeitei um ritmo ao meu
Defini teu compasso pelo ar
Na balada, acompanhei teus passos,
Senti tua fragrância.

A tarde surgiu luminosa,
pássaros voam ao meu redor.
Há beleza em minha vida!
Um toque natural
Dedilho essa poesia!
Seu sorriso!
Eu sei de cor

Pela fresta do vento achei teu momento!
Achei teus segredos
Entre pensamentos e outros
Fiz um pacto com a flor
Ela e eu! A flor e seu perfume!
O poema e meu enredo

A canção que dancei!
Os sonhos que sonhei para te oferecer
Fiquei o dia inteiro lhe esperando!
A noite apareceu majestosa
Meu sorriso se fez canto!
Cantei-te para não me perder...



Autor: Soraia

PRÓCERES



Acenda-te... A luz!
Que a morte insana agora acordará.
E previno-te da tua sorte.

Cerca-te de "Salmos" e bons "Verbos"
Predigo-vos... E aos fiéis incólumes
Acerca do que o mundo ditará.

Jura-te ao teu reinado, por tua fidelidade,
Entre os próceres, a dor do desejo haverá.
Liberta-te das cobiças concupiscentes.

E previna-te ainda mais...
O beijo no “porte do teu chanfalho”
É a tua promissão, mesmo em gritos e dor.

Desembainhe a tua lâmina fidalga
Que ela, apontada para os céus,
Consumará assim teu bom desejo!

Pelos tempos dos tempos!
A inquietude das nações sempre acontecerá...
Asseguro-te... Mesmo que morras em luta.

Acenda-te, a luz...
Tua consorte, pelos séculos te amará.
Teu Rei, em tua honra, por muito reinará!

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Século II a.C.
"Durante o período republicano,
Os romanos assistiram à transformação
da simples cidade-estado de Roma
num grande império."
(Releitura: Wolney Tavares)

UMAS CERTAS VELINHAS

Goiatuba aniversaria
Bons ventos sopram
Umas certas velinhas
Rebentos se vão
Seus filhos como, onde estão?
.Velhos amigos
Histórias de luta
Achados ou perdidos
Lágrimas de luto
.Reencontros, abraços
Banco duma praça
Onde estou no espaço
Não lembrar de você
A vida sai do compasso
.Ri chora canta
Princesinha do sul
Ao norte caminha
Por vezes balança, cai

Sol ao leste se esvai
Anunciando esperança
Estrelas piscam
:Levanta e vai.Que amigos de infância faria?
Quais lembranças teria?
Que estradas percorreria?
Qual alegria não esqueceria?
Afinal, quem seria?
Se de ti… não sairia?
.Autor: Lucianno Di Mendonça