quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Interlúdio



Entre o antes... E o depois,
Corrigi meus anseios
Amei por inteiro.

Vesti-me com sedas
E degustei tinto e seco vinho.

Não imaginei nada,
Absorvi o instante.

As palavras que tu disseste...
Em tempo de despertar a mulher,
Que teima em ficar oculta... Em silêncio.

Aconcheguei-me na relva macia,
Tendo o luar a me acariciar...
Como se fossem tuas mãos.

Nada a perturbar... Tudo é sereno,
Ah! Que saciedade esta noite me traz.

A vida é assim...
Plenitude, harmonia...
Infinita melodia... Acalanto... Poesia...

Em estado de magia,
Toco as estrelas com meu coração.

Autor: Yozzeph

Devaneios


Senti um frio ao perceber
O que estou sentindo.

A música já não me satisfaz...
A paz teima em me fugir.
Olho em volta,
tudo está igual...

eu, porém, estou viajando
por lugares desconhecidos
sem saber que caminhos
vou enfim encontrar.

Há um misto de dor...
expectativa...sobressaltos.
Necessidade de ficar só
para poder trazer a tona...
todo o ardor deste momento.

Sem ninguém a me observar...
este introspectivo sentimento
cheio de um certo tormento...
faz-me arrepiar.

Todo o meu ser está latejante...
vibrando em sustenido sol...
Perdeu-se o bemol.

Tenho a alma inquieta,
a devanear...por mares revoltos... noites eternas...
Como rosas púrpuras a se revelar...

Autor: Yozzeph
Imagens: cidinhodeassis.blog.uol.com.br

Amor maior!


Nem preciso te ver!
Em adágio tenho o teu abraçar,
Sinto-me em nuvens macias.

Sinto teu calor me envolver,
Como se fosse pingos de verão
Transformando em chuvas
Que vão caindo de mancinho,
Ao encharcar o chão!

Fazendo subir...
O incomparável cheiro de terra
Molhada, no cio da fertilidade...
Que de flores e frutos nascerão!...
Novas sementes e vidas
E também amor em nosso coração

Não preciso ver teus olhos!
Sinto só ao imaginar...
Porque sei que eles são luzes

A iluminar a minha vida
Trazendo esperanças, o teu calor...
E... Tua boca?
Tem gosto de amoras do campo
Doces e tintas... Que pintam meus lábios

De rubro... Escuros desejos!
Tudo me traz boas lembranças
Incontidos sonhos mil
Da minha alegria de infância
Quando de cabelos em tranças
Festejava ao correr do vento...

Pelo descampado verde em relva
Úmida, banhada do orvalho cristal
Agora é tua boca molhada...

Que me encanta...
E para senti-la...
Tu nem precisa me beijar
Já se fez dentro de mim...
Como chuvas de verão!

Autor: Yozzeph

sábado, 26 de dezembro de 2009

Ingenuidade


Se me perguntar,
Qual foi o primeiro poema que fiz...
Por escrito não sei!

Apenas tenho-me a rememorar,
Da primeira vez que beijei, gravado ficou...
Nas páginas do meu coração!

Tu pediste... Lembras-te meu amor?
“Beija-me, quero que meu primeiro beijo seja teu...”
Selamos juntos num só olhar!

Sorrimos e choramos,
Pois acreditávamos... Que era pecado beijar...
Tu te lembras minha vida?

Esteja tu onde estiver,
Hás de lembrar, ainda rasgo do peito esse arrocho...
O melhor presente... Não desfeito!

Se é que vou conseguir agora,
Da minha boca, esse teu beijo arrancar!

Autor desconhecido
Imagem: lauraperla.zip.net

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Campeio



Lá vai...
O menino solto,
A galopar!

No seu cavalo...
Tange o gado e vai,
Pra no cercado abrandar.

Gado redil,
Menino solto...
Cavalo a galopar.

Lá vai o menino
Gado solto disparado...
Cavalo a trotar.

De muito longe,
Se vê o menino...
No compasso do tempo!

Amaina menino,
O galope sem pressa.
- Ôh! Boi... - Ôh! Boi...

Vaqueja o gado,
Menino e cavalo...
- Ôh! Boi... - Ôh! Boi...

Permeia e tange a grei,
Gado que se teve um dia...
Menino que já foi rei!

Autor desconhecido

sábado, 5 de dezembro de 2009

Estima



Por que sinto tal apreço?
Quando me pego pensando em ti,
Da sua beleza farta ao me olhar.


Seu sorriso ardente... Queima-me,
Então continuo fixa nesse doce pensar...
Por que quando sorri fico sem graça?
Desajeitada... Quando ficas a me olhar!


Por que quando me elogias,
Não tenho respostas espetaculosas?
E fico até vermelha... Atrapalhada!


Porque sua simples presença,
Faz-me mudar os sentidos de ser...
E me tropeço nas minhas próprias palavras...
Por que como menina, volto pra casa.


Como quem ganha um grande presente...
Rosto amadurecido e olhar de criança
Sentimentos presos, como ave na gaiola.


Medo de me soltar nesse vôo e perder.
Nos pressupostos valores morais.
Deste modo, impede de voar...
Penso eu... Será que no céu, faz-se assim?


Valores que deverão preservar?
A gente deixar de viver o desabrochar?...
Vale a pena? Ah! Menino lindo!


Lábios fartos de carência,
De sorriso maluco... E tão insano.
Como eu queria que não houvesse tal lei!
E nem proibidos ardil de amores!


E... Ser dona por um dia,
Do que guardas de tão sagrado em ti.
Sabores, essa erupção em chamas!


Poema: Ros@lions
Imagem: flickr.com/photos/15554681@N06/1658605152/

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Desalento




Desliguei meus fanais...
Já não sou eu, avizinho-me.
Da rua sem direção, sem fim!

Se tens saudades mansas...
Não sei, a mim, serve de arrocho.
A rua tornou-se lenta!

Vou por ir.
Sei que esta retilínea não acaba...
Dá-se na estrada que não me leva a ti!

Dos teus suaves perfumes...
Que inundam e exalam em mim,
Desassossego, tua imagem em sonho!

Foges por fim...
Esgalga e vai pra longe,
Bem longe... de mim...

Imagem:http://confessium-mandrag.blogspot.com